Domingo, Dezembro 16, 2007


Chovia, chovia muito, como sempre acontece em dezembro.
Eu olhava pela janela e aqueles pingos me encantavam.
Cidade iluminada.
E eu ainda não sabia o que fazer naquela noite.
Tocava um blues, um cd que havia ganhado de um amigo naquele dia, um amigo que sempre presenteava com bons cds, sempre.
Meu copo, ao lado de um livro, olhava pra mim.
O telefone tocou, insistentemente, eu estava com preguiça de atender.
Mas, foi bom ter atendido, você estava com uma voz de que estava morrendo de saudades.
Eu também estava.
Algumas horas depois, e você estava na minha porta.
Uma camiseta que compramos juntos. Um perfume que grudou em mim logo no primeiro abraço.
E estava bem triste.
Os últimos dias não tinham sido muito fáceis pra mim. Em nada haviam sido fáceis.
Mas você ali, tão lindo, com um sorriso aberto, olhos que iluminavam.
Uma garrafa de vinho na mão.
E eu pedindo um abraço. E o que eu ganhei foi mesmo bem apertado, como eu precisava.
Como sempre, uma boa conversa.
Você tentando me mostrar como ainda tinha um jeito de melhorar as coisas.
Tentando ser sensato e ao mesmo tempo um pouco utópico.
Demonstrando que às vezes é preciso tomar o controle das coisa outra vez.
Ainda que tudo esteja fora de controle. Ainda que pareça que não há como fazer isso.
A chuva não parava. E eu sabia que ela não pararia. E eu adorei que ela continuasse. Aqueles pingos na janela estavam mesmo encantadores.
O blues já não tocava mais. O vinho já havia acabado.
Dormi abraçada à você. E tive bons sonhos.
O dia amanheceu com algumas nuves, mas com sinal de que o sol brilharia mais forte.
Você estava no banho e eu me esforçava pra conseguir ir fazer um café.
Ainda bem que você veio.
Eu consegui entender algumas coisas.
E volto a pensar em fazer planos. Volto a querer mais da vida.
Volto a querer sonhar e voar mais alto.
Talvez aquela melancolia não mais combine comigo.
Não sou vítima de ninguém. Talvez refém de mim mesma. Mas não vítima.
Meus pensamentos são meus aliado, ou então, me destruiriam.
Ainda bem que você me abraçou.
Vamos à vida. Porque o tempo simplesmente não pára.
E eu, preciso continuar.

Terça-feira, Dezembro 04, 2007


As nuvens no céu indicavam que ainda ia chover... Aliás, uma bela tempestade apontava, talvez ao norte, porque na verdade eu nunca sei direito pra que lado que ele é.... E eu já tinha ligado várias vezes, mas você não atendia...E eu me perguntava pra que é que existe celular se eu não te encontro quando preciso?!? Muitas coisas passavam pela minha cabeça, e eram aquelas coisas de uma pessoa ciumenta, coisas que geralmente não são verdades, mas que me consomem a ponto de me enlouquecerem... Eu só queria subir na sua garupa e sumir, e você não aparecia... Quando apareceu, com aquele sorriso no rosto, eu pensei:"De onde é que surgiu alguém assim na minha vida?!" Pois é, eu não tenho a mínima idéia de onde foi que você surgiu, mas sempre soube, desde então, que seria assim, sempre seria mágico, cada segundo! E engraçado como todas aquelas bobagens que em algum momento povoou meus pensamentos, de repente se vão, como as nuves. E aliás, as nuvens não sumiram, elas estavam indicando que o dia não seria, em momento algum, ensolarado como a gente havia planejado. Mas quem disse que isso estragaria um momento como aquele? Pus a mochila nas costas e saímos para aquela que seria nossa primeira viagem. E eu só queria que fosse incrível.
E foi.
Cachoeira, borboletas.
Chuva, sim, muita chuva.
Mas que não atrapalhou momento algum.
Gargalhadas. Só eu e você.
Era exatamente como eu queria. É exatamente como eu quero.
E a falta de grana que já não me encomoda.
E os berros do chefe, que já quase não me irrita.
E os papéis que se acumulam, isso nem me dá desespero.
Espero apenas o bom momento de correr pra te abraçar.
E eu sei que um futuro bom nos espera.
Porque é ele que estamos construindo.
Me importo apenas com o que será de nós.
E é pra isso que me dedico.
É por isso que eu sei, estamos apenas no começo de tudo.
É aqui que tudo começa.
Um último gole na minha caipirinha. Ela sempre me deixa bêbada.
E me faz lembrar às gargalhadas de tudo bom que já nos aconteceu. E tem acontecido.
Moto na estrada. Mochila nas costas.
Abraçada à você.
That's all.

Sábado, Dezembro 01, 2007


Começo a pensar em renovação. Principalemte com o ano acabando.
De repente, indo para o último ano de faculdade e me perguntanto:"E aí, como é que vai ser?", me lembro de quando tudo começou.
Outra noite, sentada na mesa de um bar, o bar da rua de baixo da faculdade, conversando com um velho e bom amigo, desses que vc imagina que tudo pode passar, mas as conversas em uma mesa de bar, sempre serão as mesmas.
Me lembrei de quando resolvi fazer o vestibular, de quando passei em 5° lugar (o que pra mim, vindo de escola estadual é uma glória, mesmo sendo na FADIVA!).
Me lembro de como foi estar na faculdade de Direito. Me lembro das primeiras provas. Dos primeiros amigos. Do primeiro porre.
De como mudei o modo como via o mundo. De como o mundo virou uma aventura, pra mim que adorava minha pobre melancolia.
E entre um gole e outro daquela Bohemia gelada, enquanto meu bom amigo tragava um cigarro, pensei em como é que as coisas andam. E em como eu quero viver cada pedacinho desta vida.
De como de uma pequena garotinha numa terra de gigantes, me tornei uma mulher.
Bem, talvez não ainda uma mulher. Talvez prestes a me tornar a mulher que eu desejo ser.
Talvez não seja a Mulher Maravilha que eu sempre quis ser.
Mas, quem sabe em alguns aspectos eu supere até mesmo algumas espectativas. E eu sei, em outros planos, quem sabe frustrada, terei que saber conviver com quem eu sou.
E no meio daqueles goles e daquela fumaça, eu sabia, que estes momentos, são realmente únicos.
Não me sinto nostálgica, nem sinto as perdas, ou as mudanças. Hoje em dia, eu as encaro de frente e digo:"Hei, lembranças, fiquem aí onde estão."
Indo pro último ano de faculdade, com algumas coisas a mais, outras a menos, mas com um coração cheio de fartura!
Meu coração parece que explode. Parece que eu saio de mim. Tudo isso, porque o tempo passa.
E às vezes ele passa rápido demais, mas a gente só percebe, depois que já foi.
No último gole, uma virada rápida para mais uma prova, um aperto de mão, um sorriso.
Amigos como este, não se esquece, se guarda com carinho.
E duas Bohemias como aquelas, eu não esquecerei.
Sempre bons papos.
A vida é mesmo assim.
Às vezes, uma leve brisa, um cheiro bom, uma Lua cheia, boas conversas, boas amizades, coisas que passam...
Que passam, mas que não se esquece...
O ano acaba, e novas expectativas..
Que tudo seja ainda melhor....