
Chovia, chovia muito, como sempre acontece em dezembro.
Eu olhava pela janela e aqueles pingos me encantavam.
Cidade iluminada.
E eu ainda não sabia o que fazer naquela noite.
Tocava um blues, um cd que havia ganhado de um amigo naquele dia, um amigo que sempre presenteava com bons cds, sempre.
Meu copo, ao lado de um livro, olhava pra mim.
O telefone tocou, insistentemente, eu estava com preguiça de atender.
Mas, foi bom ter atendido, você estava com uma voz de que estava morrendo de saudades.
Eu também estava.
Algumas horas depois, e você estava na minha porta.
Uma camiseta que compramos juntos. Um perfume que grudou em mim logo no primeiro abraço.
E estava bem triste.
Os últimos dias não tinham sido muito fáceis pra mim. Em nada haviam sido fáceis.
Mas você ali, tão lindo, com um sorriso aberto, olhos que iluminavam.
Uma garrafa de vinho na mão.
E eu pedindo um abraço. E o que eu ganhei foi mesmo bem apertado, como eu precisava.
Como sempre, uma boa conversa.
Você tentando me mostrar como ainda tinha um jeito de melhorar as coisas.
Tentando ser sensato e ao mesmo tempo um pouco utópico.
Demonstrando que às vezes é preciso tomar o controle das coisa outra vez.
Ainda que tudo esteja fora de controle. Ainda que pareça que não há como fazer isso.
A chuva não parava. E eu sabia que ela não pararia. E eu adorei que ela continuasse. Aqueles pingos na janela estavam mesmo encantadores.
O blues já não tocava mais. O vinho já havia acabado.
Dormi abraçada à você. E tive bons sonhos.
O dia amanheceu com algumas nuves, mas com sinal de que o sol brilharia mais forte.
Você estava no banho e eu me esforçava pra conseguir ir fazer um café.
Ainda bem que você veio.
Eu consegui entender algumas coisas.
E volto a pensar em fazer planos. Volto a querer mais da vida.
Volto a querer sonhar e voar mais alto.
Talvez aquela melancolia não mais combine comigo.
Não sou vítima de ninguém. Talvez refém de mim mesma. Mas não vítima.
Meus pensamentos são meus aliado, ou então, me destruiriam.
Ainda bem que você me abraçou.
Vamos à vida. Porque o tempo simplesmente não pára.
E eu, preciso continuar.


