
A única coisa que eu realmente não consigo entender nisso tudo é como é que a gente consegue se tornar tão dependente de certas situações.
Como o peito aperta quando a gente perde alguém de quem a gente realmente achava, e na verdade tinha absoluta certeza de que a gente precisava.
Certas dores, certas situações, doem tanto, cortam tanto o coração da gente que parece que nada mais vai conseguir sarar.
E não há amiga que dê colo, e não há balada que anime, e não há outro beijo que emocione.
Aquela dor é constante, é tão grande que parece ser exatamente do tamanho do nosso mundo. E dá vontade de desaparecer. Dá vontade de sumir.
Ficar no Alasca por uns dias. Dormir até que haja cor novamente em nossos dias. Até que as fores voltem a ter perfume. Até que volte a ter graça andar pela rua.
Mas não adianta. A gente vai ter que continuar vivendo.
A única forma dessa dor passar é enfrentando. É olhando pra frente. É continuar caminhando. É continuar indo trabalhar. Estudar. E até sair.
Não tem outra forma. Dói. Dói demais essa dor.
Esse vazio no peito. É um vazio tão grande que faz a gente perder o ar. É uma dor tão grande, mas tão grande que só quem sentiu é que pode saber. Não tem como medir.
É pior que cólica. É pior que bater o dedão no pé da mesa. É pior que bater o cotovelo numa quina. Dói mais do que qualquer outra dor que a gente sente.
A dor do vazio. A dor de que já não há mais o que fazer. A impossibilidade de mudar a situação. Essa dor dói.
Dói querer ficar perto e não poder. Dói querer abraçar e não ter. Dói querer ligar pra conversar e não ter mais o número. Dói essa tal de saudade que vai bater a cada música, a cada cena da novela, a cada filme, a cada bobagem que se falava, a cada roupa, a cada cheiro, a cada sensação, a cada vontade não suprida, cada abraço não dado, cada beijo perdido, cada suspiro. Cada manhã que acordar e saber que o telefone não vai tocar. Que não vai ter mais mensagens.
Isso tudo dói muito.
E não vai parar de doer tão cedo. Porque foi bom. Porque não queria que tivesse terminado. E terminou sem um ponto final. Terminou com reticências.
E o que é que se faz enquanto essa dor não passa?
A gente chora, a gente sofre, a gente não dorme, a gente tem vontade de sumir.
Mas continua vivendo.
Até que outras sensações nos encontrem. Outros beijos nos conquistem, outros abraços nos aconcheguem e finalmente, o ar volte aos pulmões.
E essa dor finalmente se torne apenas uma lembrança. E não doa tanto mais.
Mas até lá, não deixe que as feridas te torne uma pessoa dura demais para conseguir amar outra vez, gargalhar outra vez, se entregar outra vez.
Ainda vale a pena viver. Ainda vale a pena amar. Ainda vale a pena se entregar.
[Este texto é uma homenagem a uma grande amiga. A dor que ela sentiu doeu também e mim.
A única coisa que consola é que a gente vai sair viva. A gente não morre ainda.]

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