
Eu ainda não consigo entender ao certo quem é que eu sou.
Ainda não consigo entender as pessoas ao redor.
Não estou em crise de identidade, tampouco me sentindo depressiva, como tantas outras vezes aconteceu aqui.
Desta vez estou apenas impressionada.
Impressionada como são as pessoas.
Como as deixo entrar em minha vida.
Como escancaro a porta e as deixo vir, tão livres, tão à vontade..
As deixo tomar conta.
E enquanto elas estão em minha vida, eu tento ser o melhor que posso, mas tenho um jeito estranho de fazê-lo.
Eu não gosto de certas ultrapassagens, eu não gosto de certos contatos e não gosto de certos pedestais.
Eu costumo cair de pedestais, o tempo todo.
Eu costumo ferir, o tempo todo.
E me sinto ferida, por muitas vezes, calada.
Simplesmente porque deixo as feridas ali, quietinhas, porque acho que são frescuras, porque acho que as pessoas são assim como eu, tão falhas, tão estranhas e tão sombrias que a missão delas é justamente essa:ferir corações.
Acho que isso acontece porque sempre sofri quando fui deixada.
E fui deixada por muitas vezes.
Por pessoas que eu amava, por amigas, por garotos, pela família.
Sim, fui deixada muitas vezes e tive que compreender, simplesmente, eu não tinha o poder de fazê-las ficar. Mesmo que eu mentalizasse tanto, a ponto de doer minha cabeça, eu não conseguia fazê-las ficar comigo. Então, aprendi deixá-las ir...
Dói tanto quando vão.
Dói tanto quando me deixam, dói tanto quando eu fico.
E fico sozinha, mesmo quando todos continuaram comigo.
E então, já que elas sempre vão, em algum momento, não consigo mais prendê-las, não consigo mais me prender tanto.
E quando elas me machucam, e quando elas me ferem, é somente mais uma dor, é somente mais uma ferida, de tantas outras que já aconteceram.
E então, passo merthiolate e continuo a vida.
De vez em qdo olho aquela cicatriz, e dá uma dorziiiiinha...
Mas aí, paro de olhar, olho pras partes saudáveis e percebo que posso continuar...
Que ainda não é o momento de fechar a porta.
E cada vez que um se vai, a porta se abre novamente...
Feridas são curadas e novas são abertas..
Mas entre uma ferida e outra, sou tão tão feliz, que não consigo me arrepender de deixar a porta escancarada!!
Não consigo me arrepender de deixar tantas pessoas passarem por minha vida.
Porque às vezes, elas voltam. Às vezes, elas me fazem felizes outra vez.
Às vezes, dou sorte de ser tão feliz, que a cicatriz dá até felicidade. Que a cicatriz dá saudade.
Eu me sinto tão feliz, mas tão feliz, que parece que vou explodir.
Em breve, terei novas perdas, novas conquistas...
Mas ainda existem coisas novas. E se existem coisas novas é porque ainda vale a pena.
E se vale a pena, então ainda mereço viver.
E mereço viver tudo que eu tenho pra viver.
E não me restrinjo, e não me impeço, eu só me perdôo.
Me perdôo sempre. Sempre que posso.
Perdôo por ser tão intensa que o pouco não me encontro.
Tudo o que eu possuo é exagero.
TUdo o que consigo ser é muito estravagante.
Não consigo ser menos.
Eu gosto mesmo é de ser feliz.
E a minha felicidade, eu mesma faço, com as minhas mãos.
And all is happiness...

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